Ícone da Avenida Paulista, o antigo palacete tinha 19 dormitórios, 17 salas, biblioteca e abrigou o primeiro carro da cidade


Palácio do líder
De acordo com o Projeto São Paulo City, sua primeira versão, antes de numerosas reformas ao longo das nove décadas seguintes, o terreno completava 12 mil metros quadrados de jardim, contando com 19 dormitórios, 17 salas, refeitórios, três adegas e até mesmo uma biblioteca contando com obras raras, inclusive de outros modos de artes além da literatura, como pinturas de Rubens e Canaletto. Além disso, foi um dos primeiros com garagem para carro, visto que seu dono era proprietário do veículo Packard com a placa número 1 da frota municipal, ou seja, o primeiro a circular pelas ruas da cidade. Com a aquisição de prédios ao redor na década de 1940, a residência tomou uma forma ainda maior ao ser expandida até a calçada da avenida.Falência geral
Com a queda dos negócios da família de maneira gradativa, em decorrência de dívidas e inserções comerciais de concorrentes, inclusive internacionais, os bens dos Matarazzo foram sendo deixados de lado ao longo das décadas. A mansão em questão foi um dos últimos bens deixados para trás; a condessa Mariângela, viúva do conde Chiquinho Matarazzo, foi a última a se instalar no local junto da filha Maria Pia, o deixando em 1989, mesmo ano onde a prefeita de São Paulo decidiu tombar o prédio, iniciando uma disputa. De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, o tombamento foi a contragosto da família, que chegou a tentar implodir o imóvel durante uma madrugada ao instalar uma bomba no porão, sem sucesso, apenas danificando parte da estrutura interna do imóvel.